quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Neobedouin


Foto original: Ludmila Monteiro


We're the nomads, the neobedouins
I don't want to end up dead again
On this night we've traveled far
Over desert wastelands, prairie grasslands
Traverse the silken endless sands
We've survived this global scar
And so we dance
We play
We fight
We run
We breathe
We outlast
The storm!



Noite. Noite. Noite.

O fogo está queimando e pés estão batendo na terra num lugar longe da tal “civilização”. O som de palmas se mistura aos tambores e às cordas de instrumentos bem gastos e ao longe as vozes são como um uivo do vento. Música é assombração para os que tentam se aproximar e todos desistem antes de enxergar o que se esconde longe das suas paredes, cercas, jardins bem tratados e aquela coisa chamada “valores”.

E a noite pergunta; se não são “civilização”, o que são vocês?

Não é como se eles soubessem, eles que cresceram distante dos indivíduos ditos civilizados. Eles que nunca aprenderam a mentir, a implorar, a se humilhar para sobreviver. Eles que nunca tiveram que escolher entre querer e precisar, eles que nunca abandonaram o orgulho e a vontade. Eles que agora gritam e movem os corpos num ritmo infinito recortado nas chamas, eles que riem alto, e uivam, e cantam, e dançam, como se nada mais existisse.

E para eles, não há mais nada. Eles vão dançar até o amanhecer, vão pular e lutar, e correr, respirar... E não vão parar em momento algum.

A ideia de parar nunca lhes ocorreu em qualquer momento.

Nenhuma lágrima, nenhum arrependimento, nenhuma culpa. Apenas o caminho interminável e a música, e as vozes que se entrelaçam no escuro (e os sussurros, e os suspiros...), e os corpos que se movem num mesmo pulso.

“...Você seria capaz de passar a vida inteira sem pensar no fim?”

“...Talvez.”

Não existem olhos para testemunhar o que se dá junto ao fogo (todos os olhos estão ocupados...). Não existem ouvidos para ouvir o que se canta na escuridão quase completa (não existe nada para se ouvir além da música...). Não existe boca para fazer qualquer pergunta (não existe qualquer pergunta). Não existe ninguém.

Não existe ninguém.

“...Talvez. Tudo depende da companhia.”

x

Okay, pessoas... Eu não sei o que foi isso xD Eu gostei muito dessa música que o Bardo me mandou, mas não me peçam para descrever o meu processo criativo desse texto. Só digo que ele é uma peça de ficção. E que, novamente, está tarde. :P Pelo menos eu terminei bem na hora de fazer uma postagem de aniversário para a pessoa que enviou o desafio! \o/ Bardo, parabéns! Espero que você goste disso aqui, eu... Eu ainda estou pensando sobre as minhas próprias sensações estéticas sobre esse texto xD Ok, com sorte, você só verá isso amanhã (ou hoje) à noite, então, vagantes da madrugada, shhh! ;D
(Originalmente postado no Vegetando em 7/5/2011)

Um comentário:

  1. Bom.... ainda bem que tem essa nota explicativa no final do texto. xD

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