terça-feira, 11 de junho de 2013

Do not resuscitate



Enterrem meu amor, na curva do rio ou na raiz da árvore, não me importa. Cubram-no com uma mortalha velha e ponham pregos em seu caixão, cimentem o túmulo. Meu amor morreu noite passada, não volta mais. Quero para ele um funeral de silêncio, sem luto ou lágrimas.

Não me diga que meu amor ainda respira, eu não posso ouvir. Não me interessa se ele agoniza aos meus pés, fecho os olhos, pronto, não o vejo mais. Meu amor pode chorar, arrepender-se de seus pecados diante dos deuses se assim quiser, e nada disso balança meu coração.

Não me interessa mais o que deseja meu amor, pois meu peito está seguro contra tais abusos. Ao redor de mim se ergue uma muralha de realidade, sobre a qual repousam gárgulas chamadas Razão e Decepção, prontas para atacar as mentiras e as promessas de doce e viciante felicidade que outrora saíram da boca de meu amor.

Não tentem colocá-lo de pé, fazer seu sangue voltar a correr. Não quero respiração boca-a-boca, massagem cardíaca, pílulas ou curativos. Não quero cuidados paliativos nem missa para meu amor.

Para esse sentimento decadente em meu peito quero apenas uma cova funda onde seja enterrado sob ordens de jamais ressuscitar e outra vez fazer minha alma desejar morrer.

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Curtinho, pensando sobre a expressão 'Do not resuscitate' (Não ressuscitar), que é a decisão legal de proibir que alguém preste socorro caso seu coração pare de bater, e inspirado pelos blogs da dona Ludmila Monteiro e dona Rhuana Caldas :p Espero que tenham gostado.