terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Foi a saudade que me trouxe pelo braço



“Aqui estamos de novo!”

O anúncio do Palhaço indica o início do espetáculo transformado e ela prepara o sorriso, caminhando nas pontas dos pés calçados em sapatilhas negras para o centro do palco. É nesse momento em que ela admite que sentiu falta de tudo aquilo, das piruetas e acrobacias, das perseguições e truques de mágica, da confusão, da loucura, do teatro duvidoso ao som da música tocada por uma orquestra desenfreada.

O palco governa os atores e seus amores, rivalidades, vidas e mortes. Eles vão representar a mesma história noite após noite, de cidade em cidade, e alguns chamariam de prisão, mas a verdade é que não é nada mais do que a vida para todos eles.

Se fora do palco ela deixa de ser a jovem apaixonada e casta que dança apenas para seu amado, se do lado de fora ela troca de máscaras e pisa no chão não como quem flutua, mas como quem sabe bem para onde vai e o que quer, se ao dar um passo para longe do teatro ela é seguida pelos sussurros, se tudo isso acontece fora do palco, ninguém na plateia precisa saber.

A plateia só necessita do teatro, das piruetas, da dança e da mágica. E por eles ela veste de novo os losangos pretos e brancos, pinta o rosto ao invés de pôr as máscaras, e sorri como quem tem sonhos e é capaz da mais pura felicidade.


Ela realmente sentiu falta de tudo aquilo.

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Então... Existiu um desafio que me foi feito no carnaval passado, por uma Chapeuzinho Vermelho e uma Colombina, se não muito me engano. No fim das contas, não consegui fazer o desafio inteiro num texto só, então vou ver se faço em mais de um. Com um ano de atraso. Não me julguem. E acho que muita gente já sabe de onde vem o título, mas caso não saibam...