“Aqui estamos de novo!”
O anúncio do Palhaço indica o
início do espetáculo transformado e ela prepara o sorriso, caminhando nas
pontas dos pés calçados em sapatilhas negras para o centro do palco. É nesse
momento em que ela admite que sentiu falta de tudo aquilo, das piruetas e
acrobacias, das perseguições e truques de mágica, da confusão, da loucura, do
teatro duvidoso ao som da música tocada por uma orquestra desenfreada.
O palco governa os atores e seus
amores, rivalidades, vidas e mortes. Eles vão representar a mesma história
noite após noite, de cidade em cidade, e alguns chamariam de prisão, mas a
verdade é que não é nada mais do que a vida para todos eles.
Se fora do palco ela deixa de ser
a jovem apaixonada e casta que dança apenas para seu amado, se do lado de fora
ela troca de máscaras e pisa no chão não como quem flutua, mas como quem sabe
bem para onde vai e o que quer, se ao dar um passo para longe do teatro ela é
seguida pelos sussurros, se tudo isso acontece fora do palco, ninguém na plateia
precisa saber.
A plateia só necessita do teatro,
das piruetas, da dança e da mágica. E por eles ela veste de novo os losangos
pretos e brancos, pinta o rosto ao invés de pôr as máscaras, e sorri como quem
tem sonhos e é capaz da mais pura felicidade.
Ela realmente sentiu falta de
tudo aquilo.
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Então... Existiu um desafio que me foi feito no carnaval passado, por uma Chapeuzinho Vermelho e uma Colombina, se não muito me engano. No fim das contas, não consegui fazer o desafio inteiro num texto só, então vou ver se faço em mais de um. Com um ano de atraso. Não me julguem. E acho que muita gente já sabe de onde vem o título, mas caso não saibam...
