Lembro-me
que certa vez um jovem que já viajara por meio mundo questionou-me de que
valiam minhas histórias quando eu jamais me propusera a enfrentar os dragões de
que falava. Não seria melhor ouvir da boca de verdadeiros aventureiros sobre os
perigos pelos quais eles haviam passado? Não seria mais legítimo? Mais honesto,
verdadeiro?
Eu
lhe contei então a história de Phillipa Montez.
Phillipa
Montez era uma viúva que vivia sozinha num casebre aos pés da montanha em que
vivia um dragão. Quase todos os dias, Phillipa assistia a bravos aventureiros
subirem a montanha a fim de enfrentar a fera, e falharem.
Seus
corpos eram jogados do topo, já sem carne nos ossos carbonizados. Os com mais
sorte desciam a montanha aos berros, muitas vezes com menos membros do que ao
chegar, e decididos a jamais enfrentar outro dragão na vida.
Phillipa
assistia com seus olhos míopes, e voltava a lavar sua velha frigideira de
ferro.
Certa
manhã, Phillipa viu passar pela estrada um novo candidato a matador, solene e
determinado como todos os outros.
Horas
depois, o jovem reaparecia correndo montanha abaixo, mas com uma pequena
diferença.
Logo
atrás dele, rugindo e cuspindo fogo, vinha o dragão.
Um
jato de chamas bem colocado e uma patada jogaram o rapaz contra o paredão de
pedra ao lado do qual se erguia a casa de Phillipa. O jovem ainda chegou a
tentar fugir, mas o dragão o encurralou. O animal abriu a boca cheia de dentes,
pronto para devorar o herói que falhara em poucas dentadas...
E
foi atingido em cheio por uma frigideira no lado da cabeça.
O
dragão guinchou, e Phillipa o atingiu de novo, de cima para baixo, atirando-lhe
a cabeça na direção do chão. Segurando a frigideira com ambas as mãos como uma
maça, ela continuou a bater até esmagar o crânio da besta.
Em
seguida, deu as costas ao dragão morto e ao herói, e voltou para casa.
O
rapaz lhe comprou uma frigideira nova e ganhou fama como um corajoso matador de
dragões e Phillipa Montez viveu o resto de sua vida sem que seu nome fosse conhecido
e lembrado por qualquer um.
x
Postagens com uma semana de diferença... Talvez o exército deva ser avisado :p Achei alguns textos velhos do Jogo, esse tinha sido feito a partir da palavra 'perigos', escolhida aleatoriamente no livro Psicanálise dos contos de fadas. Tempo: 19 minutos. Opiniões sobre A História de Phillipa Montez (além de que talvez Vidas perigosas não faça jus a esta crônica heroica e épica)?
Ah, e por sinal, descobrir que fonte eu tinha usado naquelas imagens demorou mais tempo do que eu previa...

Texto antigo não vale, vlw flw
ResponderExcluirfrigideira +2; +4 contra dragões
ResponderExcluirresistente a fogo
Heroica e épica transcendendo o conceito Aristotélico da coisa! Esse formato de relato deixou o lance informal e mais gostoso de se ler. Só me pergunto se afinal, quem narra é a própria dona da frigideira, ou se a história dela foi escolhida como reflexão ao questionamento do que seria legítimo, mais honesto e verdadeiro.
ResponderExcluirAh, o mágico poder das frigideiras... Aprendendo com Tangled?
ResponderExcluirGostei muito, me lembrou o primeiro conto seu que li. O do heroi que morreu antes de começar a aventura. Gosto dessas coisas que quebram os paradigmas...
Esse lance de dragão na montanha e pessoas indo enfrentá-lo me lembra alguma coisa. o.õ