sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O pescador e o mar (O Jogo - Primeira Rodada)

(Mais informações sobre O Jogo no final do texto)



Na noite de ontem, junto à fogueira, me pediu um jovem marinheiro que eu contasse uma história. Não um conto qualquer, é claro, mas algo que fosse para os ouvidos como é a aguardente para o corpo que passa frio.
Uma história para aquecer os ouvidos de um marinheiro deve ser uma história do mar, pensei, e contei o seguinte caso.

Havia no mar do norte uma ilha de pedra, sobre a qual se erguia uma única casa, na qual vivia um único homem. Este era um pescador, como fora seu pai, e seu avô antes dele. Nenhum dos três chegara a pôr os pés fora da ilha durante toda sua vida, até onde ele sabia.
Ele acordava ao nascer do sol todos os dias e descia até a praia da pequena ilha, a fim de jogar sua rede ao mar e conseguir seu sustento – os peixes que trocava com os barcos dos mercantes que por ali costumavam passar, pelo que comer, beber ou vestir conforme lhe era necessário.
Durante o dia inteiro o pescador jogava sua rede, parando apenas ao avistar uma embarcação à distância, quando corria para acender seu pequeno farol e sinalizar para que se aproximassem. Mesmo que não aportassem para um bom negócio, ao menos poderiam dividir com ele um copo de bebida e algumas histórias de terras além da ilha.
Se o pescador não poderia ele mesmo navegar para outros lugares, você se pergunta? Mas como ele o faria sem possuir um barco?
Por que ele não tinha um barco, você pergunta?
À noite, o pescador sentava-se junto ao seu farol com uma garrafa de rum a lhe fazer companhia, e observava o mar. Embora houvesse sido criado ao lado dele durante toda a vida, ele não se julgava conhecedor das águas que o cercavam. De dia o mar que conhecia brilhava com o sol que batia na espuma das ondas, mas à noite sua face era outra, de águas cobertas por sombras.
Não, aquele pescador não conhecia o mar. E sem um barco, ele jamais o conheceria. E podendo pescar tão bem da margem, para que lhe serviria um barco?
Certa manhã, ao caminhar para a praia, o pescador ouviu risos por trás de algumas pedras, e se aproximou curioso para investigar, acabando por presenciar algo extraordinário.
Um pequeno grupo de focas saltava da água para a margem e graciosamente retiravam as peles uma a uma, deixando-as sobre as pedras para mergulhar nuas entre as ondas e, em corpos belos de mulher, celebrar o quão bom era nadar despidas no calor. Cada uma delas, em suas peles alvas cheias de curvas bem desenhadas, era de uma beleza com que o pescador jamais sonhara se deparar na vida.
Tão fascinado ficou ele com a imagem que teve uma ideia audaciosa. A passos leves, se aproximou das peles estendidas, decidido a roubá-las para que jamais aquelas visões fossem ser ocultas sob a forma de animais outra vez.
Mal suas mãos tocaram uma das peles, e gritos soaram da água. As focas se lançaram de imediato para a terra, agarrando suas peles e fugindo, todas logo retomando a forma de animais para encará-lo à distância.
Todas, exceto uma.
“Devolve-me a pele, pescador,” pediu a jovem foca, de forma angustiada. “pois não posso viver no mar sem ela!”
Fascinado com sua beleza, respondeu o pescador: “Se não pode viver no mar, por que não viver na terra? Venha comigo e te farei minha esposa!”
A foca o encarou intensamente, e havia uma sombra em seu olhar.
“Me pede o mesmo que pediram seu pai e o pai de seu pai às minhas irmãs mais velhas, pescador,” disse ela. “Eles as fizeram viver em tristeza por amor até o dia em que não mais suportaram e os afogaram durante a noite para pegarem de volta suas peles e retornarem ao mar. Você será como eles, pescador?”
“Suas irmãs mataram meu pai e meu avô?” exclamou o pescador, furioso. “Por que eu deveria então devolver essa pele a você, demônio?”
“Minhas irmãs amaram seu pai e avô, pescador, mas ao manterem-nas prisioneiras, eles tornaram amor em ódio,” retrucou a foca. “Se as amassem de verdade, eles teriam deixado minhas irmãs livres no mar a que pertenciam e que tanto amavam. E você, pescador? Qual será a sua escolha?”
O pescador ficou em silêncio por alguns instantes, então, antes de finalmente estender a pele para ela. A jovem foca estendeu as mãos para aceita-la de volta com o mais belo sorriso, e lhe falou:
“Se olhar para o mar, pescador, saiba que eu estarei lá. Só o que precisa fazer, é me procurar.”
Dizem que, no dia seguinte, ele começou a construir um barco.
x

Palavra: 'espuma' (escolhida aleatoriamente do Livro dos seres imaginários, de Jorge Luis Borges)
Tempo: 36 min (em 15 out 2012)

Olá a todos, e bem vindos ao Jogo! Aos interessados, essa loucura começou a algumas madrugadas atrás, numa combinação de insônia e tédio. Funciona da seguinte maneira: todos os textos do conjunto/série/jogo serão escritos a partir de uma única palavra. Os primeiros utilizaram palavras escolhidas aleatoriamente de livros variados, mas para os próximos, o sistema será diferente. As palavras sorteadas virão dos comentários de cada texto (a seleção será feita com um programa online e um pouco de matemática. Eu acho), então, quanto mais palavras interessantes, maiores as chances de eu produzir coisas interessantes (ou simplesmente dar TILT tentando :p). Quem vai querer jogar?

P.S.: Aceito sugestões para o nome do
Jogo. Também posso aceitar sugestões de livros para sortear mais palavras no futuro, desde que tenha acesso a eles u.u

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sobre escrever sobre amor




Às vezes, ele queria escrever sobre amor.

Nos dias em que ela o dispensava da função de lavador ou guardador de pratos para passar horas na cozinha limpando e enxugando enquanto cantarolava xotes e forrós antigos que ecoavam dos azulejos até sua cadeira em frente ao computador.

Nas madrugadas em que o cheiro de café quente o tirava da cama para encontra-la sentada à mesa da mesma cozinha com um sorriso sonolento que lembrava o fato de que, na maior parte das manhãs, era quase impossível fazê-la sair debaixo das cobertas.

Nas noites em que ela se inclinava para olhar a tela do computador pelas suas costas, ria de suas conversas e e-mails com o resto da delicadeza que a invasão de privacidade levara. Também quando ele se virava para cutucar suas costelas em resposta, e ouvia a voz dela gritar e rir quase histérica, e chama-lo de ‘tratante miserável’.

Quando ele era ‘tratante’ e ‘miserável’ e quando era um irônico ‘querido’, ele queria escrever sobre amor.

Nos domingos em que se sentavam os dois no sofá e desenterravam um console de videogames ancião, e passavam horas gritando coisas um tanto obscenas demais para se dizer em frente a alguns jogos de 16-bits.

Quando ela estava trabalhando no computador e reclinava na cadeira de forma preguiçosa, erguendo os cabelos com as mãos apenas para deixa-los cair de novo como uma cascata sobre as costas.

Ele queria escrever sobre amor todas as vezes em que abriam uma garrafa de vinho. Queria escrever e escrever quando ela brincava com o pingente de um colar no pescoço fino. Queria caneta ou lápis, caderno ou guardanapo toda vez que que ela ria, para escrever sobre amor.

Quando de noite, deitada na cama, ela lhe dava um sorriso cansado, ele quase enlouquecia por um segundo, desejando escrever sobre amor.

E quando ele estava, no computador ou no papel, escrevendo sobre amor, e ela vinha muito quieta sentar ao seu lado, apoiar-se em seus ombros, enterrar o rosto em seus cabelos, e apenas murmurar seu nome, ele sabia que queria escrever sobre amor.

Mas num outro dia. Numa outra noite. Numa outra hora.

Havia muitas para se escrever sobre amor.
...


Pois é, eu também sou gente.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A arte no ócio: Especial do Dia do Amigo




- Macarrão -


Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

Yuri jogou os pedaços de queijo branco no molho do macarrão e ouviu risos vindos da sala. Natália estava mostrando algumas fotos da viagem para Levi, Cássia e Marília. Ele podia ouvir a voz da amiga de colégio dali, no tom familiar de quem conta uma história e fascina com as palavras.

Natália sempre havia tido jeito para contar histórias, falando e principalmente escrevendo. E ele, Levi e Cássia, principalmente, haviam passado anos aturando as consequências desse talento – que envolviam ser acordados de madrugada por telefonemas perguntando o que pensavam de sátiros que ouviam blues e aturar um sem número de humores estranhos induzidos por bloqueio criativo e overdose de açúcar.

Yuri riu consigo mesmo ao lembrar do tipo de coisa em que Nat o havia metido. Sua mãe nunca deixara de suspeitar da história de se trancar numa sala de artes da educação infantil para zerar jogos de Final Fantasy, mesmo mais de três anos depois.

Também tinha o fato de que ele ainda não havia encostado no último jogo da série, que fora lançado em abril daquele ano, apesar de já estarem a poucas semanas do Natal. A ideia de zerar todos os jogos de Final Fantasy havia sido de Natália, afinal.

Ele se perguntou se ela ainda se lembrava daquilo. Já haviam se passado três anos, afinal.

- Tá pronto! – avisou Yuri, levando a comida para a mesa, e lançando o aviso familiar: - Acho bom vocês deixarem pra mim!

Ele esperou que Levi ou Cássia gritassem a resposta usual para aquela piada que haviam começado anos antes, na primeira vez em que ele cozinhara alguma coisa para os amigos. Ao invés disso, Natália encontrou seu olhar e deu um sorriso maligno muito familiar antes de anunciar:

- Alguém amarra o cozinheiro!

Yuri gargalhou, e fingiu levar o macarrão de volta para a cozinha.

Três anos não haviam sido absolutamente nada.

- Perda -

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Cássia estava deitada no sofá de casa, olhando pela janela. Estava chovendo. Havia começado pouco depois de ela atender ao telefone, e ainda não parara, mesmo que já fizesse mais ou menos meia hora desde que ela recebera a ligação do tio.

Ele estava tentando encontrar seu pai, naturalmente, mas tanto ele como a mãe de Cássia já haviam saído para trabalhar. Então ela fora a primeira da casa a receber a notícia da morte da avó.

Cássia havia tentado ligar para algum dos dois, mas eles não haviam atendido ao telefone – provavelmente, por conta de reuniões. Então ela teria que esperar mais um pouco. Em casa, sozinha. E estava chovendo.

Eu pensava que isso era um recurso narrativo super utilizado, pensou Cássia, observando a chuva. A coisa de chover em funerais.

Um soluço veio de seu peito, e ela cobriu a cabeça com uma almofada.

Foi então que a porta do apartamento se abriu.

- Cássia?

Cássia olhou para a porta um segundo antes de o grupo entrar e caminhar até ela. Ela nunca se dava ao trabalho de trancar a porta de casa quando estava esperando pelos amigos, porque não ouvia a campainha tocar mesmo. Natália sentou de um lado e Levi do outro, ambos a abraçando e falando em voz baixa enquanto Yuri e Marília se acomodavam na frente do sofá.

E mesmo que por um segundo, Cássia sentiu alívio.

Ela não estava sozinha. E dor que se divide com os amigos é uma dor dividida ao meio.


- Música -

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

Levi se despediu de Alice e voltou pelo caminho por entre alguns coqueiros para a parte da praia em que havia deixado os amigos. Era o aniversário de Marcelo e, por algum motivo, eles haviam acabado na praia durante a noite, com seu violão (e possivelmente algumas garrafas de bebida alcóolica). Como já era madrugada, a maior parte dos convidados já estava indo embora, como Alice.

Ele, Yuri, Natália, Cássia e Marília, porém, tinham obrigações como a praga particular do mestre de RPG dos tempos de colégio.

- Nesta noite o amor chegou... Chegou para ficar! E tudo está em harmonia e paz... Romance está no ar!

Uma careta formou-se no rosto de Levi ao ouvir o coro acompanhado por notas extremamente desafinadas de violão que o receberam ao retornar ao ponto em que deixara os amigos. Aparentemente, Yuri havia conspirado outra vez para tirar onda da sua cara, as gargalhadas do grupo provando que fora vitorioso. Ele caminhou até o amigo e tomou o instrumento que deixara com ele de suas mãos.

- Você é péssimo. – declarou sem piedade.

- E você vai deixar de ser nosso músico particular por um rabo de saia qualquer dia desses. – retrucou Yuri, sem um pingo de vergonha.

- Um ‘rabo de saia’? – repetiu Levi. – Sério, Yuri?

- Eu mantenho minha afirmação!

- Você tem problemas sérios.

- Você vai mesmo, hein, Levi? – perguntou Marília, chutando areia na sua direção. – Vai parar de tocar nas nossas festas instantâneas por causa de mulher?

Levi sorriu torto, e respondeu puxando uma música:

- Hakuna Matata! É lindo dizer!

Em segundos, o grupo inteiro estava cantando – ou gritando em alguns casos:

- Os seus problemas, você deve esquecer... Isso é viver! É aprender! Hakuna Matata!

- Carta -

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Natália mordeu a tampa da caneta e parou um segundo depois, repreendendo a si mesma pelo mau hábito. Ela estava quase no fim do texto do cartão que ia enviar para os amigos mais próximos naquele 20 de julho. Só precisava de mais alguma coisa, algo que expressasse tudo que sentia com relação a eles.

Por um momento, ela pensou nos amigos. Em Yuri, que conhecia desde criança e frequentemente atormentava com suas ideias e esquemas estranhos, nos quais ele a acompanhava lealmente e porque, mesmo que negasse, também estava se divertindo. Em Cássia, que passava mais tempo desenhando ou dormindo que qualquer outra coisa, mas que sempre estava pronta para receber a todos a qualquer hora. Em Levi, que sofria as brincadeiras de todo mundo sabendo bem o que eles estavam dizendo por baixo das palavras – tanto que continuava com eles até hoje. Em Marília, em Marcelo, Alice e Sammi, e tantos outros...

Natália sorriu, e escreveu: O que me importa é que tive amigos, e os tendo tido uma vez, os terei sempre. Pois ficará comigo a memória de seus sorrisos e lágrimas, de seu canto e riso, de seu carinho e palavras. E se me for permitida mais uma bênção além de manter tudo que eles me presentearam, a memória do meu amor por eles também ficará com todos, hoje e sempre, e isso será mais que o bastante para manter viva nossa amizade.

x

Texto especial do Dia do Amigo, para todas as pessoas que riem e choram comigo, que já muito riram de mim, e que estão sempre por perto quando eu preciso - mesmo que não literalmente. Os trechos são parte do Soneto do Amigo, de Vinícius de Moraes. Os personagens utilizados são parte de uma série que futuramente será apresentada aos que a desconhecem, chamada A arte no ócio. Espero que todos tenham gostado e feliz dia do amigo!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Exercício Criativo: God Save the Queen



Pronto, agora já nos conhecemos, para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando "Ó pobre rapaz, tem uma queda por mim, uma paixão juvenil." Perdoe-me, mas não é este o caso. Eu dizia a meu pai. "Quem é aquela moça?" E ele respondia. "É a Madame Justiça." Ao que eu replicava "Como é bela."
Eu a admirava, apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua admirava sua beleza. Por favor, não pense se tratar apenas de atração física, eu a amava como pessoa, como ideal. Isso foi há muito tempo, agora confesso que há outra... "O que, que vergonha V, traindo-me com uma meretriz de lábios pintados e sorriso vulgar!" Eu, Madame? Permita-me uma correção. Foi sua INFIDELIDADE que me arremessou aos braços dela!
Ahá, ficou surpresa, não, pensou que eu não sabia de suas escapadelas? Enganou-se, eu SEI de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você FLERTAVA com homens de uniforme. "UNIFORME? E-eu, não sei do que está falando, sempre foi você, V o único em minha vi..."
MENTIROSA! MERETRIZ! Ousa negar que se deixou envolver por ele, com suas braçadeiras e botas?
...
Ah! O gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem, a verdade foi revelada, você não é mais MINHA justiça. É a dele. Recebeu outro em sua cama. Faça bom proveito de seu novo amante.
V de Vingança – Alan Moore e David Lloyd


Você tem que admitir, ela é uma garota bonita.

Mais que bonita, provavelmente, mas não sejamos vulgares.

Ela tem um cabelo incrível, e olhos que brilham quando não estão vermelhos e inchados.

Um corpo de matar por baixo da roupa apertada. Uma boca perfeita, particularmente quando não está falando.

Quando está ocupada, se você sabe o que eu quero dizer.

Ela é um símbolo de tudo que há de bom.

(e provavelmente de todo o resto também)

Ela é uma garota como nenhuma outra.

Todas as outras querem ser como ela.

(mesmo as que são muito tímidas/hipócritas/ingênuas para admitir)

Todo mundo está de olho em cada passo dela. Todos os olhos em suas roupas (ou falta delas), na tinta do seu cabelo, na fila de ex-namorados (as), ex-maridos (esposas), ex-amigos (as), ex-alguma coisa.

Todos os olhos na maquiagem borrada, nas garrafas e copos vazios, nos restos de cigarro, comprimidos e agulhas usadas...

Um banquete para os olhos.

Todos atentos a ela, e ao próximo passo que ela dará.

Como se não soubessem que, no fim, ela não vai a lugar nenhum.


x

Os exercícios criativos retornam! Só tenho a dizer em minha defesa que estava entediada, e que o computador tem muita música. Então, God Save the Queen, que não tem muito a ver com a Inglaterra, ou a Rainha da Inglaterra. Ou com a letra da música. Eu só percebi que estava pensando em V de Vingança depois que terminei o texto. Se bem que, honestamente, eu estava pensando muito no Brasil também. Tenho mais uns três textos que vou colocar aqui em breve (súbito surto de produtividade), um deles (ou dois, dependendo do seu ponto de vista) também nasceu de um exercício criativo. E aí perdeu o controle.

Espero que gostem, feedback é altamente apreciado.

domingo, 10 de junho de 2012

The birthday gift




The boy ran through the streets on that day feeling as if his feet would never be up to the task. Panting, he could feel the sweat on his face cooling rapidly against the wind.

He was late.

The park was quite empty around that time of the day, when the sun was about to set – not that it was uncommon for it to be empty, it wasn’t the most popular spot, just the usual one, nothing else, nothing more. Still, he saw the shadow of a person sitting on a swing, and his lips curled up.

Maybe he still had a chance?

“Ava!” the boy called as soon as he stepped into the playground. “I’m sorry!”

A head turned in his direction, throwing coppery-blond curls over the girl’s shoulder, and her face frowned.

“You’re late” she told him sternly. “Why are you always late?”

His smile strained, the boy stopped behind the swings, and adjusted a large hat on his head while attempting to recover his breath. “I’m sorry” he repeated. “I… Got lost?”

The girl rolled her eyes. “Really?”

Apparently deciding to go on with it, the boy nodded, very seriously. “Really. It was a terrible experience.”

“I’m sure it was traumatic.” The girl scoffed, turning her back to him and pushing down with her feet. “I really don’t know why I still put up with you!”

The boy jumped to the side to avoid being hit by her swing. “Because I’m an incredible and fascinating person…” he told her, walking until they could look at each other without violent results. “And because I have a birthday gift for you.”

“Of course…” she pushed down again, gaining some speed and altitude. “The amazing late gift!”

He scowled at this. “Last time I checked, today is still your birthday, Ava.” He reminded her.

“Yeah,” she agreed. “and I’ve been here for almost two hours!”

That made him flinch, and cough a little embarrassedly, “I said I was sorry for that.”

“Indeed,” the girl suddenly jumped off the swing, landing on her feet. “you said that.” She straightened her clothes and raised an eyebrow towards him. “Well? Where’s my gift?”

The boy clasped his hands behind his back and smiled at her, the hat’s brim hiding most of his eyes. “Your gift, my dear Ava, is not something I can simply give or show you… But something I have to tell you.”

“… It’s a story.” She shook her head. “Another story.”

“Don’t speak like that” scolded the boy. “Have I ever, in all the time we’ve known each other, told you the same story twice unless asked?” he saw her lips curl when she turned her head away, and grinned, stepping closer. “Have I, Ava, the sole voice of reason in this mad little world I’ve been forced to live on?”

The girl tried to muffle a giggle, but wasn’t very successful. “No,” she admitted. “you never tell your stories twice, and you never tell them in the same way.”

“There you go!” he said, victorious. “And based on that, don’t you think any story I tell you as your birthday gift would be beautiful, unique and special, in honor of the one to whom the gift is destined?”

Ava hummed, and curled her lips in a smirk. “Unique and special” she said, “mean the same thing.”

The boy didn’t lose a beat. “It’s for emphasis.” He answered, following while she walked through the playground. “Will you give me the pleasure of listening to my story, then?”

The girl turned to face him, challenging smirk in place. “Sure, why not? It’s my birthday gift, after all…”

He grinned broadly at that. “Will you, really? Thanks, Ava!”

“You better start soon, or I’ll change my mind…”

“No need for that.” He took a deep breath. “Once upon a time…”

She couldn’t help but laugh. “Really?”

“Will you let me tell my story or not?”

“I thought it was my story. My birthday gift.”

“It won’t be until I tell you, so listen quietly, please?”

“Ok, ok…”

The boy still glared a little, but breathed again, and repeated: “Once upon a time…”

… there was a girl who walked over this land. Her hair was like gold and copper, and her laugh and voice were the most beautiful music that anyone has ever heard. While this girl naturally knew many people, and was loved by many more, she found time within her life to befriend this lost fellow, who thought himself a good storyteller, and an even better liar…

“Did she, now?”

“Shh, let me finish! Her friendship was precious to him, in spite of their differences…”

… and he wished to repay her kindness somehow. And since it was what he did best, the fellow told her a story, a beautiful tale which he advised her to keep as well as she would keep her own name…

“Why her name?”

“Is there anything you keep as well as your own name?”

“…You’ve got a point.” She looked thoughtfully towards an ice cream cart while they walked. “What’s the point of him telling the story if she wasn’t supposed to tell anyone about it?”

The boy shrugged, “You should always tell the stories you’re supposed to tell, and you should always pay the debts you own.”

“Funny, I don’t remember you following the last one…” mocked the girl, receiving an innocent look in answer. “And what about the stories you’re not supposed to tell?”

He smiled, “The rule says nothing about them.”

She laughed, louder than anyone would ever hear her laugh, “You are the worst, you know that?”

“I am” the boy said, pulling something from his back and presenting it to her. “merely me. Not the best, nor the worst, Ava.”

A surprised smile appeared in her face, but she accepted the ice cream gladly, “Is it blue?”

“Of course.” He answered, adjusting his hat again before offering his hand. “Now, shall I tell you the end of the story, my dear?”

The girl tasted her ice cream, and laughed again, more quietly. “Sure…” she said, holding his hand with her free one. “I’m sure it’ll be an unforgettable tale.”


x


If I ever forgot your birthday, this story is for you. Sorry about the lack of revision, and any mistakes you might have found. And sorry about the weird parts.

I wonder why everytime I write a story in english, there's someone with a hat...?

sábado, 26 de maio de 2012

Coerência





E quanto àqueles que duvidam
de minha sanidade,
sinto desapontá-los,
mas ela está aqui bem segura
dentro de mim.
Talvez um pouco arranhada
pelo descaso do mundo.
Talvez um pouco inflamada
pela falta de respeito dos homens.
E definitivamente decepcionada
com as más escolhas de muitos.
Mas presente, inegavelmente,
por trás de todo meu riso
inconsequente
e por trás de todo meu pranto
incoerente.
Isso sem falar nas minhas palavras cruéis.
Definitivamente, uma mente sã,
capaz de responder por seus erros
e acertos.
Se está difícil de acreditar,
talvez você só tenha que olhar mais de perto.



x



Coisa velha, data original é algum momento de 2010, provavelmente. Um exemplo do tipo de coisa-estranha-similar-a-poesia-mas-não-exatamente que de vez em quando me vem. Breve incia-se algo mais interessante por aqui. E sim, é uma SÉRIE. Aguardem ;)

sábado, 31 de março de 2012

Drunken Lullabies



Nós caminhamos cantando
Porque sabemos melhor
Do que todos aqueles que julgam
Que apontam, que aparecem
E que acham que o tempo passou.
Nós caminhamos cantando
Porque estamos juntos
Porque podemos andar
Com nossos próprios pés
Porque podemos cantar
Com nossa própria voz
Porque podemos viver
E porque estamos vivos.
Nós caminhamos cantando
E caminhamos juntos
Por uma estrada que se estende
Atrás de nós, em nossa memória
E à nossa frente, infinita em possibilidades.
Nós caminhamos cantando
E vamos seguir em frente.

x

Presente de aniversário para Filipe... Nos últimos minutos do dia, mas ainda assim, tá valendo! ;) Espero que goste e que te faça lembrar de alguns bons momentos. Parabéns e continue sempre sendo a pessoa incrível que você é! (Mesmo que seja tirando onda da minha cara. Ou do Kayo. Especialmente do Kayo :p)