
Eu te vi dançando na rua vazia ontem à noite, você sabia? Como um personagem de filme.
Um príncipe encantado, um Romeu completamente apaixonado.
Lamentavelmente belo.
Ouça-me uma vez, caríssimo Romeu imaginário,
que eu não vou repetir:
a Eternidade não dura.
Pelo menos não mais que um segundo.
A única certeza da vida -
vida, a maior das maiores ilusões sonhadas -
é que nada dura
o bastante.
As coisas mudam -
e-t-e-r-n-a-m-e-n-t-e -
e nem sempre para melhor.
Não me aponte como a Bruxa Malvada
do seu conto de fadas, Romeu,
porque nele eu nunca pus sequer um dedo,
que dirá uma maçã envenenada.
Eu não tenho culpa de nada.
Inocente até que o contrário se prove,
ou até que alguém dê a primeira dentada.
Maçãs à parte,
todos nós somos livres para cometer nossos erros o quanto quisermos,
então cometa os seus, Romeu, amigo,
quem sabe, com sorte,
eles não fazem alguns acertos?
Respire fundo.
Três vezes.
Saque a arma, abra o frasco,
pule do precipício.
O que mais conveniente for.
Mergulhe de vez nessa coisa tão sub/supervalorizada que os tolos sábios e os sábios tolos chamam de amor.
É o clímax do espetáculo.
Lágrimas e aplausos.
Oh.
Uma pena, Romeu.
Parece que Julieta ficou.
(Originalmente postado no Vegetando em 27/11/2009)
Bom... discordo de que a única coisa certa na vida é que nada dura, acredito que a única certeza é a morte (não sei se você utilizou uma metáfora que não captei ^^")
ResponderExcluirO texto também requer um conhecimento prévio sobre alguns "contos de fadas" e a obra mais popular de Shakespeare, tornando o menos/mais interessante para aqueles que não/conhecem as estórias as quais foram feitas referências.