Parte da série de resultados de um exercício criativo que envolveu papel pautado e tempo de sobra e um mp3 player no modo de reprodução aleatório. O primeiro segue abaixo e... Bom, sei lá, espero que vocês leiam e apreciem. Todos os títulos são nomes de músicas.

Estática no rádio, e uma voz canta. Abafada pelo som dos carros lá fora, ela canta. Canta sobre guerra e paz, canta sobre sangue e lágrimas.
Estática no rádio, uma voz canta. Grita junto às sirenes, e canta. Canta sobre crianças com fome e mulheres apedrejadas. Canta sobre quem tem sonhos e sobre quem não tem nada.
Estática no rádio. Canta. Soluçando com o vento, a voz canta. Ruído de aviões e risos de criança. O uivo da mãe que assistiu à morte de um filho, e da criança perdida no meio da estação final de um trem que nunca chega.
Estática. A voz canta. Garotas no shopping center pensando que são mulheres. Crianças vendendo drogas e o grito de alguém cortado por uma faca. Os pais olham para o berço e sorriem de orgulho.
Estática no rádio. Uma voz. Velas para uma santa, sussurros no escuro. Prece, canta. Corpos dançando, a batida de um século, suor e lágrimas, e um grito. Ninguém ouve.
Estática... Canta...
Olhos de criança voltados para o céu claro. O primeiro passo é sempre mais difícil.
Estática no rádio.
Uma voz canta.
(Originalmente postado no Vegetando em 12/3/2011)
Pois é.... MUITA acontece ao mesmo tempo no mundo e ninguém tá nem aí para as coisas que estão fora do alcance dos olhos...
ResponderExcluirAinda bem... se não fosse assim, o índice de depressão mundial estaria lá na exosfera!